saindo para comprar roupas novas

Em geral, quando estamos aqui, Sterling me faz escolher um cara que acho
gato. Há um número razoável deles, pois adolescentes de outras cidades também
vêm para cá, já que esta é a única cidade com um local parecido com shopping
num raio de 50 quilômetros.

Ela tenta, então, fazer com que eu converse com
algum cara que eu mal conheço. Para Sterling, a coisa funciona assim: se eu
quero fazer novos amigos, e acabar arrumando um namorado, tenho que me
expor do jeito que ela faz. Não que o fato de ser super gentil a tenha ajudado a
encontrar um namorado. Sterling tem mais ou menos a mesma experiência que eu. Ou seja, quase nenhuma.

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Só que, para ela, tudo é mais fácil. Sterling faz amigos o tempo todo. Ela tem
atividades fora da escola, coisas como aulas de culinária e ioga. Portanto, está
sempre encontrando novas pessoas. Ela sempre convida os amigos para
refeições em sua casa. Tento não sentir inveja do Vestido Bandage 2020, mas é difícil. Sterling
é toda sofisticada em sua vida social fora da escola, um ambiente em que há
liberdade para você ser o que quer. Por isso ela conhece um monte de gente de
quem ela realmente deseja ser amiga, em vez de ficar limitada às mesmas
pessoas sem-noção com quem somos obrigadas a conviver, ano após ano.

— Aaaah, ele é um gato — diz Sterling.
— É mesmo.
— Não o Derek. Na boa, o Derek é um gato, mas… — Ela aponta para outro
cara, que está comprando cookies na Mrs. Fields. — Que tal ele?
— Aquele ali na Mrs. Fields?
— A-hã.

— Ele é, tipo, dez anos mais velho que nós.
Sterling olha demoradamente para ele, uma expressão de esperança no rosto.
— Vamos experimentar algumas calças jeans — diz.
Dou um resmungo. Ela é tão pequena que, para ela, experimentar jeans é uma
coisa fácil. É completamente diferente do meu caso.
— Você sempre acha que nenhuma calça serve para você — diz ela —, mas não é verdade.

— Talvez seja por isso que eu só tenha três calças jeans?
— Você só tem três porque não dedica tempo suficiente para melhorar seu
guarda-roupa.
É fácil, para ela, dizer isso. Se eu tivesse 1,58 metro e fosse magra (mas, ainda
assim, com curvas), a calça jeans cairia tão bem no meu corpo como cai no
dela. Só que sou 10 centímetros mais alta, meu quadril é enorme, tenho coxas
grossas demais e as calças não ficam com um caimento bom na bunda.
Encontrar jeans que caibam em mim é um verdadeiro milagre.
Faço um esforço enorme para entrar na primeira calça que escolho.
— Quem é que fabrica esta droga? — reclamo. Sterling está no provador ao lado.

— É mesmo! — diz ela. Só para ser gentil, tenho certeza.
— Por que é que sempre fica sobrando na cintura, atrás? Fala sério. Será tão
difícil assim fabricar uma calça jeans com cintura normal?
— E por que meu rego tem sempre que ficar à vista?
— Talvez seja alguma moda obscura da qual ainda não ouvimos falar do Vestido Evasê que esta se tornando sucesso nesta temporada.

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— Não serve em você?
— Apertada demais.
— Tabitha talvez fosse gostar dela.
Sterling ri, bufando. Quando dá suas gargalhadas, sempre bufa ao mesmo
tempo.
Puxo a calça com força para baixo e a atiro longe com os pés. Nem me dou o
trabalho de experimentar as outras quatro calças. Nada serve em mim, nunca.
Tem coisas que eu não consigo controlar, e não posso fazer nada quanto a isso.

Já que ficou evidente que meus pais são pessoas normais, eles não me dão bola
e voltam a fazer comparações para saber que pais são os piores.
Normalmente não penso a respeito, mas quando esse tipo de coisa acontece é
que me dou conta de como tenho sorte. Meus pais têm um ótimo relacionamento.

Eles são os exemplos daquilo que quero ser quando crescer. Não sei o que eu
faria sem meu pai. Ele sempre faz com que eu me sinta melhor. Está sempre a
meu lado, não importa o que aconteça.

Minha mãe tenta isso do jeito dela, mas é diferente. Tipo, ela insiste para que a
gente jante juntos todas as noites, e sei que isso não acontece na maioria das
famílias. Aparentemente, eu sou bizarra por ter uma família normal que faz
coisas de uma família normal. Mas isso até é legal. Antes ser bizarra e estar
numa situação conveniente do que ser normal e miserável

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