Liberdade educacional com o novo Fies

dentro desse novo estado de
coisas, sem a presença de autoritarismo de qualquer espécie, era muito
importante que os cidadãos conseguissem dominar a arte de bem falar e de
argumentar com as pessoas, nas assembleias populares e nos tribunais. Para
satisfazer essa necessidade, afluíram a Atenas, vindo sobretudo das colônias
gregas da época, mestres itinerantes que tinham competência para ensinar essa arte.

Eles se autodenominavam SOFISTAS, sábios, aqueles que professam a
sabedoria. Os mais importantes foram Protágoras e Górgias.
Como mestres itinerantes, os sofistas faziam muitas viagens e, por esse
motivo, conheciam diversos usos e costumes em uma faculdade longe de casa estudando, e agora ter que fazer o Aditamento Fies 2020.

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Isso lhes dava uma visão de mundo
muito mais abrangente do que tinham os atenienses da época e lhes permitia
mostrar a seus alunos que uma questão podia admitir diferentes pontos de vista.

Um dos princípios propostos por eles era o de que muitos dos comportamentos
humanos não eram naturais, mas criados pela sociedade. Como exemplo,
citavam o “sentimento do pudor”. Contradizendo os atenienses, que acreditavam
que fosse algo natural, os professores de retórica afirmavam, por experiência
própria, que, em muitos lugares por que tinham passado, a exposição de certas
partes do corpo e certos hábitos tidos lá como normais, se vistos em Atenas,
causariam perplexidade e constrangimento.

Foi esse tipo de pensamento que deve ter provocado a célebre afirmação de
Protágoras: O homem é a medida de todas as coisas, que o levou, inclusive, a
afirmar que o verdadeiro sábio é aquele capaz de julgar as coisas segundo as
circunstâncias em que elas se inserem e não aquele que pretende expressar
verdades absolutas.

A retórica, ao contrário da filosofia da época, professada principalmente por
Sócrates e Platão, trabalhava, pois, com a teoria dos pontos de vista ou
paradigmas, aplicados sobre os objetos de seu estudo. Por esse motivo, foi
inevitável o conflito entre retóricos ou sofistas, de um lado; e os filósofos, de
outro, que trabalhavam apenas com dicotomias como verdadeiro/falso, bom/mau etc.

Tudo aquilo que pensamos e fazemos é fruto dos discursos que nos constroem
enquanto seres psicossociais.

Na sociedade em que vivemos, somos moldados
por uma infinidade de discursos: discurso científico, discurso jurídico, discurso
político, discurso religioso, discurso do senso comum etc. Paramos o automóvel
diante de um sinal vermelho porque essa atitude foi estabelecida pelo discurso
jurídico das leis de trânsito. Votamos em tal candidato de tal partido porque esse
tipo de voto foi conquistado pelo discurso político desse candidato.

Entre todos os discursos que nos governam, o mais significativo deles é o
DISCURSO DO SENSO COMUM. Trata-se de um discurso que permeia todas as classes sociais, formando a chamada opinião pública.

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Tanto uma pessoa humilde
e iletrada quanto um executivo de alto nível, com curso universitário completo,
costumam dizer que os políticos são, em geral, corruptos ou que o brasileiro é
relaxado e preguiçoso. Na verdade, o discurso do senso comum não é um
discurso articulado; é formado por fragmentos de discursos articulados. Uma
fonte do pais para renegociação Fies 2020, como Devagar se vai ao longe, Água
mole em pedra dura tanto bate até que fura etc. Esse discurso tem um poder
enorme de dar sentido à vida cotidiana e manter o status quo vigente, mas tende a
ser, ao mesmo tempo, retrógrado e maniqueísta. Podemos até mesmo dizer que
os momentos das grandes descobertas, das grandes invenções, foram também
momentos em que as pessoas foram capazes de opor-se ao discurso do senso comum.

Geralmente, essas pessoas, em um primeiro instante, se tornam alvo da
incompreensão da massa que defende o senso comum. Foi o que aconteceu com
a chamada Revolta da Vacina, uma rebelião popular ocorrida no Rio de Janeiro,
de 12 a 15 de novembro de 1904, quando Oswaldo Cruz, diretor-geral da Saúde
Pública do governo Rodrigues Alves, quis vacinar a população da cidade contra a
febre amarela. A opinião geral era de que se tratava de inocular a doença nas pessoas.

Dizem que até mesmo Rui Barbosa posicionou-se contra a medida,
alegando o constrangimento das senhoras em expor o braço nu para tomar a
vacina. Os cariocas, inflamados, levantaram barricadas, quebraram lampiões de
iluminação pública e incendiaram alguns bondes da cidade.

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